June 2011
Poema das 6 da Tarde
Neste dia nascera bonito
o cinza.
A substância a escorrer
lentamente, deixai-a:
essa escrita clara como o ocaso.
O que delimita a linha
das nuvens?
O frio a brotar do retorno da luz - um instante de interrupção alongado....
Livro em Curso
Ao se dar conta da existência do cão ele saiu pela rua. Estava nu e deixou-se iluminar pela manhã.
Da casa pra fora de si.
Todo o aspecto dessa hora o envolvia. Chove. Há duas mulheres jogadas na rua, sobre a chuva, e os trovões o despertam para a cena – que deixe-os vir a mim – pois toda aquela luz e o teu peso entram por entre a pele e se refletem em pedaços no chão.
Da casa.
Aguardo minha...
Cena III
Eu escrevo sobre a ausência – em branco. Por longo tempo o silêncio não se manifesta e os sons são uma violência presente nesse espaço que compreende a minha chegada e o meu descanso. Hoje eu falto em silêncio, entretanto há o amor de poucos dias (o amor nasce e morre, num esforço para romper o silêncio).
De dentro para fora da casa
há o jardim de outrora. Agora o jardim presente me...
Cena II
Sentei-me no jardim por alguns minutos. As cores são longas e desaparecem ao calor melancólico da tarde do Norte. É o jardim das esculturas de barro que, à vista da casa, não estão lá. A que permanece atrás de mim é um grande tronco morto – outro dia seria um falo retorcido numa grande vulva. Os sons do jardim me caminham sob as primeiras estrelas e penso que seriam não esculturas, mas...
Cena I
E se um ramo me invadisse pela boca, no jardim do ocaso onde o fantasma do desejo passeia mudo? Palavras escorreriam pelos meus olhos aguados e os soluços fariam-nas pender sós e frias pela distância pequena do meu rosto até o azul que me protege e acolhe os mal aventurados. Uma mosca pousa em meu braço e um arrepio corre meu sangue, mas o cheiro convida minha boca à dança na carne mole...